No meio de tanta tragédia, nasce uma flor!


 

Boa noite,  Bom dia,  Boa tarde!

O ano começou mesmo! Muitas coisas acontecendo aqui no Brasil  e também fora dele.

É tanta tragédia que não conseguimos nem saber claramente de uma, que logo já acontece outra. Olha, que é muita informação, nem mesmo os mais “antenados” conseguem acompanhar!

A mais comentada e  já decretada pela ONU como a maior tragédia de todas as épocas, é o terremoto que “acabou” com Porto Príncipe, no Haiti.

Alguns dos fatos que ocorreram aqui no Brasil, especificamente, pelo menos o que disseram os noticiários, poderiam ter sido evitados. Então nos perguntamos, porque não foram?

Quanto ao Haiti, nem  tem muito o que comentar ou TEM MUITO, mas não é esse  o meu objetivo.

Fiz minha graduação em Letras e lembro-me quando li o livro A ROSA DO POVO de Carlos Drummond de Andrade. Uma poesia me marcou muito,  “A flor e a Náusea”.

Rosa do Povo é um de seus livros de poesia mais populares, retrato vívido de uma época, escrito durante os anos sombrios da 2° Guerra Mundial, os anos de ditadura do Estado Novo no Brasil, nele encontra-se mesclado, como luz e sombra perfazem um retrato, a amargura e a esperança.

Nesse livro através de seus 45 poemas, dentre eles o famoso “Morte do Leiteiro” e “Nosso Tempo”, onde se fala da guerra, do abandono do homem cotidiano, dos becos escuros, resplandece, surpreendentemente, um clima de esperança.

Trata-se de um livro de época, no entanto, não pense  que por seus poemas descrevem-se a alma e o cotidiano torturado na tragédia consumada da guerra e da ditadura. Pelo contrário, aí essa tragédia aparece, como interregno, no movimento maior da história na luta humana pela liberdade.

Dessa perspectiva o horror da guerra, o silêncio da ditadura, a injustiça, o marasmo da vida comum são colocados em contraposição a resistência feroz, selvagem, da luta pela liberdade. A Rosa do Povo é um livro de esperança, inveterada, militante. Cujo brilho reforça-se no decorrer do livro, transbordante em seus últimos poemas.

O clima dos poemas, no decorrer do livro, parece acompanhar o próprio movimento histórico da Guerra. No início o silêncio apreensivo que precede a tempestade, depois o medo, o anoitecer, a impotência diante da tragédia, a fragilidade, a morte. Nessa hora sombria, do livro e do século, é também o momento da memória, da imaginação e da reflexão.

Segue-se uma retomada, particular, de cunho autobiográfico – intimista – e em seguida, coletiva, geral, histórica. O livro e a guerra seguem para seu desfecho, no final rebrilha a esperança a força. Livro de poesia impar. Retrato psicológico vivo de uma época importante no Brasil e no Mundo.

Carlos Drummond de Andrade  teve uma fase de engajamento político e inclusive de filiação ao PCB. Este livro, marca extamente esta fase.Inclusive a Flor (Rosa) é um símbolo do Socialismo.

A temática da obra fala de  vários aspectos da sociedade da época, mas como disse, não só daquela, da nossa também.

A poesia, A Flor e a Náusea,  para mim, nestes dias,  estou associando-a com as tragédias ocorridas, principalmente com a do Haiti.

A  rosa, a flor, consegue  nascer  em qualquer espaço do concreto e  traz vida!

Vou postar a poesia para que você leia e  interprete-a, afinal,   “a poesia não é para ser entendida e sim, sentida”!

 

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

 

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Uma flor nasceu na rua!

 

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

E soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Pensando nesta poesia, tirei uma foto no Lago de Cascavel.

Lago de Cascavel.

Flor entre a pedras.

Não posso deixar de contar também um pouco sobre o meu treino de caminhada e corrida, aliás meu só não, a minha amiga, Déborah me acompanha,(a dupla).

Começamos correr 36 minutos, sem parar, daqui a 8 treinos estaremos correndo 40 minutos.E pasme!! Já estou com a prescrição na mão para começar o treino para correr 10 mil metros. Hoje, estamos correndo em torno de 5.

Não é fantástico??!! É sim, muito!!  Tudo de bom!!

Vou comemorar também porque este é o post de número 50 do  meu blog! Estou feliz, afinal, escrever é sempre um desafio, mesmo para uma professora de português. 

É isso, que a nossa próxima semana seja boa!

Obrigada, Drummond, por ser tão atual, tão genial!

Fique com Deus!

Super beijo!

Márcia

Sobre marciafontanella

Sou professora de Língua Portuguesa na cidade de Cascavel- Paraná. Leciono a 19 anos.Sou Pós-Graduada em Língua, Literatura e Ensino.No ano de 2011 comecei uma nova etapa em minha vida profissional, fui convidada para trabalhar no NRE -Núcleo Regional da Educação no NAIPE - Núcleo de Ações Pedagógicas Integradas. Estou levando minhas ideias, meu conhecimento, minha criatividade e dinamicidade a todas as escolas. Um novo desafio! Sou mãe de duas meninas lindas!Adoro ler, ver filmes, seja em casa ou no cinema. Sou corredora. Ano passado me propus a correr a SÃO SILVESTRE, e assim o fiz em dez. passado. Amo a vida e tudo o que ela tem, sejam coisas boas ou não. Acredito que estamos aqui na Terra para evoluirmos, tento ser cada dia melhor!

Publicado em 16/01/2010, em vida e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Parabéns pelo blog e post de nº 50!
    Todas as conquistas devem ser comemoradas, pequenas ou grandiosas.
    E a sua lembrança dos tempos de graduação nos possibilita conhecer/rever o poema de Drummond… a sua fotografia “Flor entre as pedras” apreciar uma das dádiva da natureza e beleza contemplada no Lago de Cascavel… isso é simplesmente maravilhoso!
    Parabéns ainda pelo excelente/gradativo treino de caminhada e corrida seu da da Deborah…
    Saudades…

  2. achei seu poema enteressante, um pouco triste, mas tem muito a dizer a pessoas q entende disso, aodro pemas principalmente qdo e escrito por DRUMOM um grande beijo e um otimo fim de semana xauuuuuuuuuuuuuuuuuu.

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