REDAÇAO – Proposta de carta argumentativa

Análise da proposta de redação: o que você acha da meia entrada para estudantes? – tema do vestibular 2012 da UFPR

Texto 1:

Senhor Editor do Departamento de Cartas da Revista Superinteressante.

Na última edição da Revista Julho/2011 – onde fala sobre a meia entrada para estudantes, acho válido algumas afirmações, mas não concordo com outras. Afinal a venda de ingressos pela metade do preço atrai mais pessoas, e isso acaba aumentando o lucro, apesar de ser 80% o número de pagantes.

Por outro lado, os empresários responsáveis por esses locais deviriam entrar em acordo para que pelo menos 50% pagasse meia e não 80% como é atualmente, e a outra metade pagasse  inteira, talvez isso diminuía o prejuízo.

Mas também o empresário tem outras alternativas como elevar os preços de serviços que são oferecidos pelo local, como Alimentação, Estacionamento entre outros, isso ajuda a minimizar as consequência.

Bom isso é o que o penso sobre a meia entrada para os estudantes.

P.R.S.R, Maringá – Paraná

 Análise do texto 1:

O texto em questão merece ser avaliado como “regular”.

Trata-se de uma produção textual dentro do gênero solicitado pela proposta: uma carta de leitor. Apesar de as características presentes serem suficientes para definirem o texto como pertencente a este gênero, elas estão mal trabalhadas, estão superficialmente colocadas.

A interlocução, por exemplo, fica restrita ao vocativo, somente no início e no alto do texto (“Senhor Editor do Departamento de Cartas da Revista Superinteressante”); depois disso, ao longo da carta, essa marca de interlocução desaparece e o texto se aproxima de um relato. Não há mais passagem nenhuma de interpelação, de referência ao “Senhor Editor Chefe”; não há vocativos, não há marcas explícitas de que aquela carta foi escrita exclusivamente para uma determinada pessoa/profissional/grupo de profissionais/representante de uma seção de cartas.

Em contrapartida a essas ausências, há, no texto, o predomínio de informações “jogadas”, mal fundamentadas, pouco desenvolvidas, superficialmente dispostas, o que mostra um cumprimento precário das instruções da proposta (“a-manifestar um ponto de vista em relação à questão tratada; b- retomar argumentos do infográfico para dar sustentação a sua opinião”). Com erros de linguagem padrão e com passagens pouco claras, o aluno apenas escreve que “acho válido algumas afirmações, mas não concordo com outras. Afinal a venda de ingressos pela metade do preço atrai mais pessoas, e isso acaba aumentando o lucro, apesar de ser 80% o número de pagantes”. Ao final desta última frase, a expressão nem explica a que tipos de pagantes (que pagam meia ou a entrada inteira?) se refere. O argumento de que a meia entrada atrairia mais pessoas e, portanto, aumentaria o lucro é bom, todavia, quase nada desenvolvido, quase nada explicado.

No próximo parágrafo, a carta argumenta que os proprietários “deveriam entrar em um acordo” sem explicar, com qualidade, como seria esse acordo, como ele funcionaria, por quem ou por qual instituição ele seria regido.

No terceiro parágrafo, outro exemplo do fraco desenvolvimento do texto, sem contar a fragilidade do argumento em si: “o empresário tem outras alternativas como elevar os preços de serviços que são oferecidos pelo local, como Alimentação, Estacionamento entre outros, isso ajuda a minimizar as consequência.”

O último parágrafo, assim como os outros, fraco e “quase infantil” – “Bom isso é o que o penso sobre a meia entrada para os estudantes” – é reflexo do desempenho regular de todo o texto; justificando, assim, a avaliação por ele recebida.

A autoria da carta – que deveria ser de um leitor – quase não aparece; essa imagem não é trabalhada. Não há cabeçalho, não há qualidade, enfim, nem no que se refere às características típicas do gênero, nem no que se refere ao cumprimento das exigências, interligadas, inclusive, com a utilização (que é ruim nesta produção textual) das informações presentes na coletânea (o texto e o infográfico).

Enfim, texto “regular” que merece, por isso, uma reescrita. Em uma segunda versão, o aluno terá chances de melhorar os pontos fracos apontados. Bom trabalho de releitura e de…reescrita!

Texto 2:

Quer pagar quanto?

Imagine essa pergunta sendo feita na hora de comprar ingressos para eventos culturais, à resposta seria simples e objetiva: o mínimo possível. Infelizmente isso não tem previsão de acontecer, mas há um mínimo possível, se não houvesse a meia-entrada os ingressos seriam mais baratos.

Com essa proposta, de não ter mais meia-entrada na compra de ingressos, não quero aqui propor o fim do benefício que foi uma vitória conquistada ainda na época de 1940 pela União Nacional dos Estudantes, mas defender um reajuste no desconto, que ajudaria todas as partes, estudantes e quem paga inteira. É bem logico que os produtores de eventos têm que manter sua margem de lucro em alta e para isso aumentam os preços dos ingressos e sobra para pagar a maior conta quem não pode contar com a vantagem da meia-entrada.

Sou estudante, mas meu pai não é, e se me perguntarem um dia quanto eu quero que custe um ingresso, eu vou responder: quero um preço que seja justo para mim, que sou estudante, e que também não seja injusto para quem não é.

I.M.M, Brasília – DF

Análise 2

O texto “Quer pagar quanto?”, infelizmente, merece a anulação. A proposta – a partir da qual o aluno deveria produzir a sua redação – exigia que se escrevesse uma carta de leitor. As instruções eram claras: “(…) escreva uma carta dirigida à seção ‘Cartas’ da revista Superinteressante, manifestando sua opinião sobre a existência da meia-entrada”.

Uma “carta dirigida à seção ‘Cartas’ da revista” nada é mais é do que uma carta de leitor, ou seja, uma missiva endereçada a um órgão da imprensa (revista, jornal, periódicos e afins; neste caso específico, seria destinada à revista Superinteressante) escrita por um leitor, com o objetivo de comentar, criticar, dar a sua opinião acerca de determinada matéria. Trata-se, portanto, de um gênero textual com características claras: autoria explícita e nítida (um leitor da revista), com interlocução também explícita e nitidamente definida (para a seção “Cartas” da revista que, poderia, inclusive, ser “personificada”; ou seja, o autor poderia se dirigir nominalmente a um jornalista, por exemplo, que seria o responsável pela seção de recebimento de cartas. Ou ainda poderia se dirigir a um grupo de jornalistas, aos “responsáveis pela seção”, ilustrando de outro modo. Outra opção seria se dirigir, simples e diretamente, “À seção Cartas”).

No texto “Quer pagar quanto?” não há nada, nenhum indício que configure a autoria e a interlocução típicas desse tipo de texto, a carta de leitor, que, inclusive, não possui título. Sendo assim, o próprio fato de haver um título nesta redação é forte prova de que o aluno, infelizmente, não entendeu a exigência da proposta redacional e não produziu um texto conforme as orientações presentes. O que existe sempre em cartas – e que também está ausente no texto em questão – é o cabeçalho.

A produção textual “Quer pagar quanto?” até cumpre com outras duas exigências da proposta (“a-manifestar um ponto de vista em relação à questão tratada; b- retomar argumentos do infográfico para dar sustentação a sua opinião”), mas o fato de o texto não ter nada que o caracterize como uma carta é motivo grave o suficiente para a anulação.

É preciso atentar-se para o importante fato de que, em uma prova de redação de vestibular, muito mais importante do que escrever bem, é ler extremamente bem. Só existe uma escrita merecedora de boa avaliação no exame vestibular se ela for precedida de uma leitura de boa qualidade. Simples assim: primeiro, é preciso ler para, depois, só depois, escrever.

*plural majestático (do latim pluralis majestatis: ‘plural de majestade’), também chamado plural de modéstia,ocorre, na língua falada ou escrita, quando quem escreve ou fala se refere a si próprio usando a primeira pessoa do plural (nós) em vez de usar a primeira pessoa do singular (eu).

TEMA V

(VUNESP) Há alguns anos, quando os acidentes de trânsito começaram aumentar assustadoramente, começou-se a pensar seriamente na educação para o trânsito. A tentativa de conscientização da necessidade de obedecer à sinalização, ao limite de velocidade, enfim de usar o veículo como um meio de ida e não como uma possibilidade de morte ganhou dimensão nacional, incluindo a orientação nas escolas. No entanto, as estatísticas mostravam que a violência no trânsito crescia cada vez mais. Agora, com a implantação da nova lei, a imprensa noticia a diminuição do número de acidentes, de mortes e de multas, em até 40%. Mera coincidência?

      A partir das considerações dadas, faça uma carta-argumentativa para alguma publicação jornalística ou responsáveis pelo setor no país, emitindo a sua opinião sobre o fato e, principalmente, sobre a nova lei do trânsito recentemente implantada no Brasil. É necessário assinar a carta com o pseudônimo “Brasileiro Consciente”.

TEMAVI

 (UNICAMP) Durante o ano de 1995, intensificou-se no Rio de Janeiro a onda de violência e seqüestros. Uma das respostas a essa onda de violência foi a Manifestação Reage Rio, realizada no dia 28 de novembro como um grande ato público a favor da paz. Na semana seguinte, em artigo publicado na página 2 da Folha de S. Paulo, o jornalista Josias de Souza escreveu a esse propósito:

O Rio que paga a carreirinha de coca é o mesmo Rio que foge do seqüestro, eis a verdade. Diz-se que a violência vem do morro. Bobagem, tolice. Como a passeata do Reage Rio, a violência também é obra do carioca bem-posto. (…) Dois dos objetivos palpáveis do Reage Rio são o reaparelhamento da polícia e a urbanização das favelas. Erraram de alvo. Estão mirando na direção errada. (…) Pouco adianta dar novos 38 à polícia se não for interrompido o fluxo de dinheiro que garante os AR-15 do tráfico.”

( “O Rio cheira e berra”, 5/12/95).

Essa análise é polêmica e você deverá levá-la em consideração ao optar por uma das duas tarefas abaixo:

·      concordando com a opinião do jornalista, escreva-lhe uma carta, apresentando argumentos que o apóiem;

·      ou se você acha que o ato público cumpriu seus objetivos, escreva uma carta aos organizadores, elogiando a iniciativa, defendendo sua validade e rebatendo os argumentos do jornalista.

Todos os textos transcritos a seguir foram publicados na imprensa, alguns dias depois da Manifestação Reage Rio, e são relevantes para que você possa formar uma opinião. Ao escrever sua carta, considere os argumentos expostos nessa coletânea e outros que você achar pertinentes.

1. Cerca de 70 mil pessoas participaram da manifestação Reage Rio, um apelo para que acabem a violência e os seqüestros no Rio de Janeiro. Os organizadores, entre eles o Movimento Viva Rio, esperavam 1 milhão de pessoas. Mas a chuva atrapalhou. A caminhada, na Avenida Rio Branco, reuniu representantes de toda a sociedade civil. “Foi um sucesso”, disse o sociólogo Herbert de Souza, o “Betinho”. O governador Marcello Alencar e o prefeito César Maia não participaram. Nos últimos nove meses, a polícia registrou 6.664 assassinatos no Rio. (Clipping do Estadão, Destaques de Novembro/95)

2. “Foi um extraordinário marco a marcha no Rio, onde, pela primeira vez, a politização da violência ganhou ares populares. Mesquinho e subdesenvolvido restringir o debate ao número de participantes. Mais importante, muito mais, foi o debate que suscitou e a sensação de que o combate ao crime não é apenas um problema oficial.” (Gilberto Dimenstein, “Chute no Saco”, Folha de S. Paulo, 10/12/95)

3. “Houve uma grande ausência na passeata de terça feira passada no Rio de Janeiro. Faltou uma palavra mágica, aquela que daria sentido a toda aquela movimentação. (…) A palavra que faltou é: DROGAS. A passeata era contra a violência. Ora, qual a causa magna da violência no Rio, a causa das causas? Resposta: drogas. (…) A originalidade do Rio está em ter realizado uma passeata contra a escalada do crime, a incrível escalada que, sob o impulso e o império da droga, ocorre em várias partes, sem dar nome ao problema. E não se deu o nome porque, se se desse, não haveria passeata.(…) O que aconteceria se se anunciasse uma passeata contra as drogas? Muitos não iriam. No mínimo para não parecer careta, ou seja, ridículo. Mas também porque muita gente não é contra – é a favor das drogas. (…) Sendo assim, como fazer uma passeata contra a droga? Melhor é fazê-la contra a ‘violência’ e pela ‘paz’. Quem pode ser contra a paz?” (Roberto Pompeu de Toledo, “Faltou dizer por que não se tem paz”, Veja, 6/12/95)

4. “O lado bom do Rio é a natureza fantástica, o povo que é alegre e descontraído, aceita e vive a vida como ela é. O lado ruim é a miséria que se alastra por toda a cidade, exigindo uma solução, com nossos irmãos trepados em barracos pobres, olhando a cidade dos ricos como uma miragem a seus pés. E a solução não está nas brigas políticas de superfície, mas na revolução; a revolução que não pode ser feita agora. (…)

Fui à passeata Reage Rio porque me convidaram. Queriam que fosse num carro, mas preferi andar no meio das pessoas. A caminhada não foi propriamente um protesto mas uma advertência sobre o que está acontecendo, sem solução. Enfim, o problema da miséria é grave e uma pessoa com um pouco de sensibilidade não pode se sentir feliz diante disto.” (Silvio Cioffi, “Só revolução resolve a miséria, diz Niemeyer”, Folha de S. Paulo, 21/12/1995)

5. “Quem não acredita na força do pensamento positivo ganhou na quinta-feira, 30, um bom motivo para mudar de idéia. Menos de 48 horas depois da Caminhada pela Paz, que parou a cidade e mobilizou milhares de pessoas contra a violência – 60 mil, segundo a polícia, e 150, segundo os organizadores -, foi resgatado o estudante Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira Filho, seqüestrado trinta e seis dias antes. (…) A mãe de Eduardo Eugênio elogiou a atuação da polícia mas dedicou especial gratidão aos participantes da caminhada.” (Eliane Lobato, “Guerrinha pela paz”, Isto É, 6/12/95)

ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE APENAS AS INICIAIS DE SEU NOME.


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